3.4.08

Shania - A mulher camaleão



Gosto muito de Shania Twain tanto pela sua voz melodiosa, doce e rouca com uns registos espectaculares, como pela sua beleza, elegancia e capacidade fantastica que ela tem de se transformar de teledisco para teledisco, de espectaculo para espectaculo, aparecendo sempre diferente.

Apesar de gostar bastante da sua musica, considero-a um bocadinho repetitiva, quem ouve este album fica a conhecer todo o seu estilo musical e dai para a frente, ou para trás, é tudo mais ou menos igual, ela é uma cantora essencialmente country, embora também tente outros géneros.

Shania, de nome próprio Eileen teve uma infância muito dificil, criada pela mãe e um padrasto indio, viu-se na obrigação de, com cerca de 8 anos começar a cantar em bares nocturnos para ajudar a familia e durante o dia trabalhava com machados e serras electricas ao lado do pai. Depois da morte dos seus pais, ela ajudou a criar os irmãos e aos 21 anos mudou de nome para Shania que em linguagem india Ojibway, quer dizer "Estou no meu caminho".

Lança um primeiro album que não teve grande êxito, depois conhece "Mutt" um grande produtor que se apaixona por ela e com quem se casa, e simultaneamente Shania consegue alcançar a fama a que aspira e tem direito passando a ser considerada "A musa da musica country".

O alinhamento deste album: You're Still the one (balada muito bonita sobre um amor que parecia impossivel aos olhos de todos e que conseguiu vingar), When (uma canção que fala sobre utopias), From this Moment (mais uma linda balada que fala de juras de amor eterno), Black Eyes Blue Tears, I Won't Leave you lonely (uma canção muito alegre também sobre o amor, onde ela o exalta em várias linguas), I'm Holdin'On to love, Come On Over (canção que dá o titulo ao album e que é um hino à vida), You've got a way (musica que faz parte da banda sonora de Notting Hill, quem não a conhece?), Whatever you do, Don't!, Man, I fell like a Woman (Muito conhecida e sensual, esta canção é das mais populares de Shania), Love Gets me Every time, Don't be stupid (uma declaração de amor, um pouco feminista, mas que resulta numa canção muito engraçada e bem disposta), That don't impress me much (uma forma muito engraçada de por os homens no seu lugar), Honey I'm home (muito country esta musica conta o que é um dia NÃO na vida de uma mulher), If you Wanna touch her Ask! (também pop country, esta canção ensina como um homem se deve aproximar de uma mulher) e Rock this country uma canção muito alegre e melodiosa.

18.2.08

Aquiles, a historia de um calcanhar

Como já é do conhecimento de todos, este filme trata duma guerra entre Gregos e Troianos, que durou dez anos, por causa de Helena de Esparta, que abandonou o seu marido Menelau para fugir com o principe Páris, segundo filho do Rei de Troia.

Isto no fundo vai servir apenas de pretexto,há muito esperado por Agamemnon irmão de Menelau, para abraçar a ideia de vingar a honra de seu irmão e invadir Troia como ansiava havia já muito tempo a fim de se tornar o Senhor de todo o mar Egeu. Isto vem servir pelo menos para vermos mais uma vez como as mulheres têm sido importantes ao longo da história, peças fundamentais em toda a existência humana, capazes de influenciar o destino de milhares de vidas.

Senão veja-se o caso de Cleopatra, Joana D'Arc, Wallis Simpson ou até mesmo a nossa Padeirinha de Aljubarrota (ai que já estou a esticar-me). Vamos ao que interessa, Brad Pitt... ooops não era isto que eu queria dizer, Troia, estavamos a falar do filme Troia, um grande épico;)

Fui ver este filme ao cinema quando estreou mas este fim de semana voltei a vê-lo em casa e não há duvida que perde algo da grandiosidade que lhe achei quando o vi da primeira vez. De qualquer forma tenho lido criticas deste filme que variam de bestial a besta. Principalmente tenho visto muitas criticas ao facto da guerra ter durando 10 anos e ali durou cerca de 3 semanas.

Ora este filme INSPIRA-SE na Iliada de Homero e e não tem que ser uma cópia fiel. Alias segundo muitos deverão saber, nem sequer existe a certeza se este episódio épico aconteceu realmente ou se não passa do resultado de uma imaginação prodigiosa de Homero. Assim sendo, acho que faz algum sentido que toda a trama se desenrole em cerca de 3 semanas, como iriamos nós ver passar 10 anos de uma guerra sempre igual? E para que? E o que é que mudava?

Viamos o filho de Heitor a crescer, ou alguns guerreiros a ficarem com barba e cabelos brancos? Só porque aparecia uma paisagem com o mar como fundo e as legendas a dizer "Dez anos depois...." já iriamos todos ficar mais satisfeitos? Penso que foi muito bem conseguido tal como se apresentou. Aparece-nos Brad Pitt no papel de Aquiles, o heroi deste filme que se permitem e apesar de estarem sempre a dizer mal do rapaz (principalmente os homens - a inveja é uma coisa muito feia.....) está muito bem neste papel.

Sempre acompanhado dos seus muchachos, leia-se Mirmidões, Aquiles luta contra Troia do lado de Agamemnon, não porque seja seu aliado mas porque quer participar duma guerra que ele sabe vai ficar para a Historia, onde ele quer ter parte importante e ser relembrado. Aquiles, e ai está bastante fiel ao retrato do mito meio Homem, meio Deus que nós conhecemos, é considerado invencivel, é um homem vaidoso, arrogante, um assassino sem piedade, sedento de poder e fama.

Bradd Pitt encarna muito bem esse papel com uma nota especial para o seu fisico que foi bem trabalhado para encarnar este personagem. Em relação ao resto pouco mais tenho a dizer do que tudo o que já foi dito, gostei tanto do personagem Heitor como detestei o seu irmão, que se apresenta aqui como uma figura frágil e sem grande caracter ao contrário de Páris de Homero.

Helena que conhecemos como uma mulher de forte personalidade e de uma beleza agressiva capaz de fazer perder a cabeça a dois homens (ok, e a mais uns milhares depois no sentido verdadeiro da palavra) aparece como uma bonitinha com um ar muito angelical e por fim sem grande "papel" mas com uma das melhores cenas do filme para mim, refiro Peter O'Toole que protagoniza o Rei de Troia, Príamo, e que vai muito bem na cena em que confronta Aquiles para reaver o corpo morto de seu filho.

Termino dizendo que detestei a banda sonora, as musicas não têm qualidade nenhuma e o matraquear que acompanha as batalhas irrita ao ponto de se ter de baixar o som. Já pelo contrario dou nota dez aos cenários e principalmente ao guarda roupa que me parece bastante fiel ao que conhecemos da época e que (temos que ser sinceros) nos deixa ver e adivinhar os atributos fisicos dos guerreiros que por sinal até são muitos.

26.1.08

Gothika

Volta e meia revejo filmes que já estou quase esquecida, calhou a vez a este Gothika, que não há dúvida que gostei, achei a ideia muito boa e a historia bem desenvolvida, mas peca pela previsibilidade. Estava muito expectante mas a meio do filme eu já tinha uma ideia do que seria o fim e antes do desenrolar final eu já tinha descoberto o que ia acontecer.

É um thriller com qualidade de qualque forma. A historia de uma psiquiatra protagonizada por Halle Berry que passa de médica a louca num abrir e fechar de olhos e se vê internada na Instituição onde trabalhava, misturada com as suas pacientes e acusada de um crime que sabe não ter cometido mas onde todas as provas são contra ela.

Durante todo o filme ela é visitada pelo fantasma de uma adolescente, que ela não sabe se existe mesmo ou se é fruto da sua imaginação.Mas à medida que o cerco se vai apertando, a sua racionalidade vai conseguindo vencer, apesar de não ter ninguém do seu lado. O seu ponto de partida vai ser a frase: " Eu não acredito em fantasmas mas eles acreditam em mim ".

De referir ainda que Penelope Cruz também entra no filme, num papel secundário, mas com um excelente desempenho, na minha opinião. Em suma, um filme de suspense que merece ser visto com alguma atenção. Quanto mais não seja vale pela musica... "Behind blue eyes".

7.1.08

O Perfume

Um dos melhores e mais estranhos livros que já li até hoje. Como o titulo diz, o livro conta a história de um assassino, mas não de um assassino vulgar. Conta-nos a história de uma criança que nasce e cresce de uma forma estranha e solitária, preso no seu próprio mundo, odiando toda a humanidade. Com uma qualidade extraordinária que lhe permite detectar todos os odores, separá-los, catalogá-los e guardá-los na sua memória sem nunca os esquecer ou confundir.

Com a estranha capacidade inata de produzir os mais belos aromas jamais cheirados ou alguma vez produzidos por mão humana, Grenouille é um ser insignificante, completamente ignorado por toda a gente devido a uma caracteristica que o torna praticamente invisivel - ele é desprovido de qualquer odor corporal.

Quando se apercebe deste facto, passa a ter apenas um objectivo na sua vida, aprender todas as técnicas de fabricar perfumes de forma a conseguir fabricar um que seja apenas seu e que substitua a sua falta de odor, mas que o torne irresistivel e a sua marca indelével, de forma a que quem passe por ele ou com ele contacte fique irremediavelmente enfeitiçado por si.

Todo o livro gira em torno desta procura incessante que não olha a meios para atingir os fins. Grenouille tem ainda outra obcessão, o perfume corporal de virgens, e é na busca da captura desse odor que ele sabe que se perde quando a menina se torna mulher, que ele percebe que só há uma forma dele não se perder, é conseguir roubar-lhes o odor antes dessa mudança, ainda que para isso seja preciso privá-las de viver...

24.11.07

Baladas ternas e melodiosamente macabras

Gosto muito de toda a musica de Nick Cave e acompanho os seus trabalhos já há cerca de 20 anos, embora reconheça que não é um género de musica que agrade a todos. De qualquer forma quem conheceu Cave há alguns anos talvez deva ouvir alguns dos seus novos trabalhos porque a sua evolução tem sido bastante positiva.

Começou por ter um grupo chamado Boys next Door em finais dos anos 70 que acabou, e formou em seguida um grupo de punk gótico, os Birthday Party que acabaram também nos anos 80, altura em que surgiram os Bad Seeds, já numa onda rock, embora calma. Escolhi este album para falar de Nick Cave porque é o meu album preferido, uma colectânea de baladas com histórias de sangue e morte, cuja voz grave mas melodiosa de Cave consegue transformar numa obra prima, capaz de penetrar até ao mais intimo do nosso ser.

Com o seguinte alinhamento:Song of Joy (que conta a historia de um homem que conta a outro como mataram a sua mulher e as suas três filhas), Stagger Lee (um homem que escorraçado pela mulher mata quem se atravessar no seu caminho), Henry Lee (um dueto com PJ Harvey em que ele conta como uma mulher mata o seu amante para que ele nunca se possa afastar dela), Lovely Creature, Where the Wild Roses Grow (um dueto com Kylie Minogue em que um homem mata a sua amada e a cobre de rosas enquanto lhe diz palavras de amor), The Curse of the Millhaven (que conta a historia de Loretta, uma rapariguinha de 15 anos que tenta matar toda a gente na sua terra), The Kindness of Strangers (a historia de uma mulher que abre a porta a um estranho e é encontrada morta na sua cama no dia a seguir), Crow Jane (conta como uns homens matam pessoas depois de se terem embebedado), O'Malley's Bar (a mesma cena de um homem que mata toda a gente num bar) e Death is not the End (a ultima musica do album em que o cantor nos vai dando várias situações em que diz que não nos devemos preocupar porque a morte não é o fim).

Um Homem estranho sem dúvida mas um excelente músico, compositor e cantor. Não aconselho a compra deste album pelas chamadas "pessoas normais", são capazes de arranjar traumas para o resto da vida, ehehehe

16.9.07

Fui ali já vim...

E andei beeeeeem acompanhada ;)

5.9.07

Férias


Vou ali.... já venho!!! Demoro uma ou duas semanitas.

31.8.07

A Rainha



“A Rainha” foi um filme que não tive oportunidade de ver quando estreou, com grande pena minha, mas finalmente já tenho o DVD e já pude comprovar aquilo que tinha sabido pelas criticas. Não é um romance, não é um filme de suspence com um enredo enorme e montes de personagens.

“A Rainha” é praticamente um documentário que vemos acerca da família real inglesa, há 10 anos atrás quando dois factores importantíssimos aconteceram. Primeiro, e o que despoletou toda esta situação, a morte trágica e inesperada de Diana.

(Nunca mais me esquecerei que estava em Vila Nova de Mil Fontes com uns amigos quando a Alberta Marques Fernandes apareceu na televisão a dizer que “notícia de última hora, a Princesa Diana tinha sido vitima de um grave acidente”... e eu comentei que devia de ter partido um braço, mas como era princesa...)

E depois, o que realmente dá origem a este filme. Tony Blair, o Primeiro Ministro Trabalhista recém eleito, que na altura ainda tinha ideais de pragmatismo e modernistas, e que após tantos anos na oposição ainda se sentia “do povo”. Tony Blair ganhou muitos pontos quando ao dar a notícia da morte de Diana se refere a ela como “A Princesa do Povo”.

Por outro lado a família real que se encontrava de férias em Balmoral preferiu remeter-se ao silêncio, não comentando o acontecimento, o que fez com que a sua queda de popularidade perante o povo que já andava tremida, descesse como nunca.

Blair teve aqui a sua grande golpada política ao empenhar-se em convencer a Rainha a mudar de atitude perante o acontecimento, fazendo-lhe sentir qual era a opinião do povo em relação a Diana e que ela só teria a ganhar se viesse “para a rua chorar” a morte de Diana junto com os seus subditos.

A História:
(cheia de considerações minhas)

E. portanto toda a estória da “historia” deste filme se desenrola no espaço de uma semana. A semana que se seguiu à morte de Diana em 31 de Agosto de 1997. Durante esses curtos dias Londres, Inglaterra e o mundo estiveram na expectativa do resultado da “batalha” que se travava entre a Família Real, hermética e conservadora e o Governo Britânico.

Helen Mirren, que veio a ganhar um Oscar pelo seu desempenho neste papel, está realmente fantástica, e irrepreensível neste papel. Os gestos, o andar, a postura, estão simplesmente perfeitos. Helen “ é “ a Rainha. O filme vai sendo intercalado com algumas imagens verdadeiras da altura aqui e ali, quando se justifica.

A morte da Diana foi um acontecimento que quer queiramos quer não, gostássemos ou não dela, mexeu com o mundo. Ela era uma mulher bonita, jovem e inocente que aprendeu à sua custa o que custava estar casada com o herdeiro do trono Britânico. A sua postura de mulher habituada a lidar e a conhecer os problemas dos homens e mulheres comuns levava-a a ter um tratamento simples e despreocupado o que contrastava e chocava com a frieza e distância da monarquia.

Diana disse NÃO e optou por viver a vida dela se nunca ter deixado de usar a sua fama e protagonismo para ajudar os pobres e os desfavorecidos. Mas como mulher normal que era e fazia questão de ser, o seu comportamento era sempre super vigiado pelos mídia o que fazia com que qualquer “passo em falso” fosse transformado num escândalo que incomodava a Rainha e a casa Real.

Por isso que ainda hoje resta a dúvida se a morte dela foi um triste acidente causado pela perseguição dos papparazzi ou se ela pura e simplesmente foi eliminada para deixar de perturbar a paz podre da família real.

Mas será que podemos culpar a Rainha por se sentir tão incomodada com o facto de Diana existir? Essa questão fica no ar neste filme. Afinal a Rainha foi criada para ser uma mulher de comportamento irrepreensível, ela não sabe ser de outra forma. O grande erro dela foi não se ter apercebido que não foi só o mundo em geral que mudou à sua volta mas os seus súbditos em particular também mudaram e exigem tolerância e compreensão da parte dela. E neste caso muito particular os súbditos queriam que a Rainha fizesse e partilhasse do seu luto.

O realizador deste filme, Stephan Frears teve o cuidado de não ser demasiado parcial, ele tenta demostrar o que se terá passado sem tomar grandes partidos, ele tenta mostrar os dois lados da questão, dum lado a família Real, que sem compreender bem a dimensão do mediatismo do acontecimento, apenas pensa que Diana já não pertence à família Real após o divórcio e pretende que ela tenha um funeral privado, sem qualquer comunicado da casa real.

Do outro o Governo Britânico e o povo inglês que “exigem” honras de membro Real. É preciso não esquecer que ela é a mãe do futuro Rei de Inglaterra. Perante a pressão dos media e da população, Blair decide ajudar a rainha a salvar-se dela mesma. Blair tenta fazer ver à Rainha que ela TEM que fazer uma declaração pública, ao que a Rainha se tenta “defender” dizendo que as declarações públicas apenas se fazem quando acontece algum facto extraordinário, e ela não considera que a morte de Diana “a Princesa dos escândalos” (palavras minhas mas que de certeza terão sido pensamentos dela) seja um desses factos.

Outra coisa que chocou o povo foi o facto de a Rainha estar em Balmoral e não regressar de imediato ao Palácio assim como a Bandeira de Buckingham e de todos os outros organismos oficiais não se encontrar a meia haste. Era “obrigatório” para o povo inglês que isso acontecesse.

“Humildade ou humilhação?”, pergunta a Rainha em determinada altura a Blair quando ele a confronta com essa necessidade de ser humilde perante o seu povo. “Pode o velho reger o novo sem ser deposto ou substituído?”, é o dilema que ela se depara com a subida do líder do Partido Trabalhista Tony Blair ao cargo de Primeiro Ministro, terminando com a dinastia conservadora no poder. (Se ele tempos mais tarde se deixa deslumbrar pelo poder e se torna também mais conservador do que liberal, já faz parte de outra guerra...)

Para mim a cena mais fantástica deste filme e que obviamente não se terá passado, mas que define a meu ver duma forma sublime a Rainha Isabel II e a sua postura perante o que se passou, é uma cena em que a Rainha é obrigada a parar por causa duma avaria no Jipe e vê um veado... ela fica a olhar para o veado com um olhar de admiração.

Pouco tempo depois ela é informada que o veado foi encontrado morto..., ela está nos seus terrenos em Balmoral e inexplicavelmente fica notoriamente nervosa e acaba por disfarçar algum choro. Faz questão de ir ter com o caseiro para ver o veado morto e ao olhar para o animal diz: “Espero que não tenha sofrido muito” e afasta-se com um ar perturbado.

Esta cena para mim demonstra a confusão de sentimentos em que a Rainha vive e a forma como ela está a baralhar as suas emoções... A Rainha elogia e gaba o animal, deslocando-se pessoalmente para o ver morto, mas não demostra qualquer tipo de emoção pelo desaparecimento de Diana, sua ex-nora e mãe dos seus netos, recusando-se até a regressar a Buckingham e a interromper as suas férias por causa disso.

Li algures que Anthony Lane, repórter da da revista "The New Yorker", teve uma frase magistral para definir este filme. O cabeçalho da sua coluna era: «A Rainha», o novo filme de Stephen Frears: "O seu tema é o choque de vontades entre Sua Majestade a rainha Isabel II, e Tony Blair, o primeiro-ministro do governo de Sua Majestade. Ou, se preferirem, Alien vs. Predador".

Sem qualquer reparo.... fantástico título este que tão bem define este filme.

24.8.07

Transformers

Para mim é bastante difícil falar deste filme porque não era meu hábito ver estes desenhos, são da geração de 80, já não fazem parte do meu imaginário de criança nem sequer de adolescente. Posteriormente também não li a Banda Desenhada, pelo que não me ficou no ouvido os nomes dos Robots e sinceramente nem sequer me senti muito atraída pela história. No fundo penso que os Transformers eram virados essencialmente para o sexo masculino.

Inicialmente brinquedos, depois desenhos e a seguir banda desenhada, eles “desmanchavam-se” e “montavam-se” sozinhos, passando de figuras humanóides a carros, helicópteros, motas, aviões, etc. Finalmente e porque está na moda transformar banda desenhada em filmes de cinema, chegou também a hora destes Robots passarem ao cinema.

A história conta que em tempos um cubo Clarkiano (o que quer que isso queira dizer), poderosa fonte de energia capaz de dar total domínio sobre o Universo veio parar à Terra e está na posse de Sam Witwicky, um jovem adolescente que não faz a mínima ideia do tesouro que possui. Megatron, o líder de uma facção de gigantes robóticos alienígenas decide vir procurá-lo, mas acaba por cair no Artico e ficar congelado durante décadas.

Autobots e Decepticons são Robots alienígenas que em tempos se dividiram em dois grandes grupos. Autobots são liderados por Optimus Prime, um ser pacifico que pretende conviver em paz com os humanos, Megatron, líder dos Decepticons tem como objectivo exterminar toda a vida biológica, o que os faz estar permanentemente em guerra. Optimus como sabe da existência do cubo Allspark na Terra e sabe também que Megatron está preso no Artico mas que acabará por se conseguir soltar, vem com um grupo para cá para defender os humanos, em especial o jovem que sem saber detém consigo o cubo monolito, que transforma objectos inanimados em seres vivos. Mas longe disso ser bom, os objectos que ganham vida à custa desse cubo monolito tornam-se maus e revoltam-se contra os seus consumidores/criadores humanos.

Estes seres gigantes têm a capacidade de se transformarem em objectos que à sua semelhança sejam metálicos ou electronicos e dar-lhes vida e é sob a forma de automóveis, motas e aviões e outros objectos que eles se camuflam e se escondem na Terra. E tal como eles previam, os Decepticons acabam por descobrir onde se encontra o seu líder e vêm para a Terra com a missão de o salvar e ajudar a encontrar o cubo.

Sam, é um jovem que estuda e que apenas tem como objectivo conseguir a namorada dos seus sonhos, Mikaela, a miúda mais gira e mais popular do liceu. Para isso precisa de um carro e quando consegue convencer o seu pai a comprar um, ele não sabe que leva com ele Bumblebee, um dos robots que o protegem. E isto dá inicio ao filme em que a pouco e pouco ele se começa a aperceber que o seu carro tem vida própria e que costuma desaparecer a meio da noite para reaparecer na manhã seguinte.

Uma das cenas engraçadas é quando Sam dá uma boleia a Mikaela que se chateou com o namorado e decide regressar a casa a pé e o autobot começa a manipular trechos de música de forma a dar-lhe os “recados” que ele gostaria de dar, ou seja a dizer-lhe a partir de músicas de rádio o que ele no fundo gostaria de conseguir dizer e que o robot sabe por ouvir as conversas dele com um amigo. Ou é uma cena engraçada ou é aquela de que eu me lembro melhor, porque sou “rapariga” e reparei na parte romântica ;)

Uma coisa que me fez alguma confusão foi as cenas que mostraram a forma como o Megatron se conseguiu salvar, mostrando o derretimento das calotas polares e os efeitos do aquecimento central no planeta, duma forma acelerada mas que estará muito perto duma realidade que não está assim tão distante como isso. Complicado e sério este assunto que eles aqui abordaram duma forma logicamente muito aligeirada porque no fundo era apenas um pormenor, para o desenrolar de todo o filme.

E esta é a história, quando Megatron fica finalmente livre, começa a luta entre os “bons” e os “maus”, numa guerra sem limites que quase causa a destruição do planeta. As forças militares acabam por ser também envolvidas e depois da quase total destruição da cidade, Optimus Prime consegue vencer Megatron e levar o cubo para um sítio seguro onde não possa ser utilizado a favor da maldade e destruição da vida humana e biológica. Sam e Mikaela acabam por ter um papel bastante activo na resolução do problema, até porque ela é filha de um mecânico com cadastro especialista em carros roubados e ela aprendeu muito com o pai, o que vai acabar por ser útil no desenrolar da história e como seria de esperar acabam apaixonados. Outro facto engraçado é que com tanta violência, tanta explosão, tanto prédio destruído, estradas levantadas, pontes desfeitas, não se vê um único morto ou ferido na rua, não há baixas entre as tropas, civis ou seja quem for.... e vivam os computadores e os efeitos especiais...

13.8.07

Como água para Chocolate




Culinária e amor... uma combinação explosiva...

Um excelente livro de Laura Esquivel, para mim o melhor dela que li até agora. A escritora tem o dom de conseguir misturar a culinária com o amor, conferindo-lhe um certo misticismo. A história fala de uma familia de tradições antigas em que a filha mais nova não pode casar porque tem que tratar da mãe na velhice, impedindo-a assim de viver um grande amor... situação ainda agravada por esse amor ser impelido a casar com a irmã mais velha e ficarem a viver na mesma casa.

Tita, a principal personagem desta história transfere então o seu grande amor por Pedro para a culinária, onde nos envolve também a nós leitores, de uma forma apaixonada em que quase sentimos também o paladar das deliciosas iguarias que ela prepara e que nos vai transmitindo simultaneamente as fantásticas receitas que lhe foram ensinadas através das gerações. O seu humor é o humor de todos os que comem a sua comida... este livro tem qualquer coisa de mágico. E muito de delicioso...

O filme é um clássico a preto e branco, espanhol, que eu tenho em VHS mas que apesar disso não me desfaço dele, consegue transcrever o livro em pleno, eu que normalmente nunca gosto de filmes que já tenha lido o livro, adorei este filme, parece que o realizador o leu com os meus olhos e o imaginou com a minha cabeça.