Não sou grande fã das revistas cor de rosa nem tenho a menor pachorra para "tias"... confesso que nunca prestei uma atenção especial a esta Bibá, porque também não tenho pachorra para Bibás, Titas, Xinhas, Mimis e Lólós e etc etc etc. Mas já tinha pensado uma vez que uma mulher da minha idade tinha 5 filhos um deles diferente e que continuava a ser uma mulher sempre alegre, que aparecia sempre a rir e com ar de felicidade no rosto.
A Trissomia 21 como a paralisia cerebral, o autismo, são temas que me interessam, me entristecem e me fazem sempre pensar. Tenho um primo com Paralisia cerebral e cometi o erro do qual me arrependo até hoje de o tratar sempre como se fosse um bebé (até aos 8 anos) com gu-gus e da-das enquanto que ao outro primo da mesma idade falava normalmente. Acontece que a paralisia dele apenas lhe afeta a parte motora, e a da fala e por mais que a mãe mo dissesse eu não conseguia assimiliar que era mesmo assim. Quando o via a olhar para mim, sempre a rir e com um fio de baba a escorrer, para mim, apesar de o adorar ele era "atrasadinho"....
Até que um dia, tinha ele 9 anos, me chamou pelo msn e tive uma conversa com ele (à sua velocidade e ritmo) que me fez chorar convulsivamente de ter sido tão injusta com ele. Ele disse-me que devido à sua "diferença" não conseguia falar e tinha dificuldade em se expressar e que pela primeira vez podia dizer-me o quanto gostava de mim e o quanto me achava bonita. Chorei como há muito não chorava... e desde aí temos várias conversas pelo msn e NUNCA MAIS incorri na estupidez, na injustiça de falar com ele como se fosse um atrasadinho. Hoje converso normalmente com ele, dou-lhe o tempo que ele precisa para se fazer entender e até já me contou uma ou duas anedotas "picantes" (proprias dos seus 9 anos).
Enfim.... tudo isto para dizer que por vezes o não entendermos as diferenças dos outros, ou por não fazermos um esforço para as entendermos somos injustos, somos incorrectos e fazemos pessoas infelizes. E foi assim que eu decidi comprar o livro da Bibá Pitta e da história da sua filha Madalena. As expectativas eram.... as que eram.... ver se ela ia fazer show off, se queria dar nas vistas ou se tinha alguma coisa para nos contar.
E tinha... e tem... e aconselho este livro a qualquer pessoa. É uma história nua e crua duma familia que teve um filho diferente, são os vários testemunhos, duros de se lerem de quem aceitou com dificuldade esta menina, quem chegou a desejar que tudo "tivesse um fim", para mais tarde assumir que esta criança é a razão da sua existência. Muitas vezes chorei ao ler certas passagens deste livro, mas fez-me bem lê-lo, acho que cresci mais um bocadinho como pessoa e como ser humano, e estou MESMO a ser sincera.
Não sei se esta história poderá ajudar familias com o mesmo problema ou não, mas sei que nos faz abrir os olhos para a realidade, sermos menos egoístas, compreendermos certas coisas de uma forma melhor, e aprendermos que ser diferente, é apenas isso.... ser diferente! Com os mesmos direitos, com os mesmos deveres (tudo ao seu ritmo) e com o mesmo direito a andar neste mundo com a cabeça mais ou menos levantada, com a lingua mais ou menos para fora e com mais ou menos dificuldade em conseguir abotoar os botões do pijama.
4.8.09
O Cromossoma do Amor
26.12.08
Cao como nos
Fala de um cão especial para o autor, como os nossos cães o são para nós. E recorda-nos o vazio que ele nos vão deixando no coração quando nos separamos deles, seja porque motivo for. A medida que o autor vai contando alguns excertos da sua vida desde que o cão entrou nela e até que saiu, vai-nos mostrando em pensamento a falta que o seu cão lhe fez e o que ele sofre com a sua ausência, ao ponto de o ver e ouvir em todo o lado inclusive de falar para ele.
Ele, o chefe de familia, que acha que um cão é um cão, e não se lhe deve dar mais importância que isso mesmo. Mostra-nos a personalidade forte que os cães podem ter e a importância e influência que podem ter na familia. Um livro que devia ser lido por toda a gente que tenha ou não animais de estimação, porque talvez pudessem avaliar de outra forma porque é que nos dedicamos tanto a esses seres maravilhosos que nos dão tanto em troca de tão pouco. E especialmente por aquelas pessoas que compram os "puppies" para os meninos brincarem e que depois os abandonam quando crescem. Talvez conseguissem aprender alguma coisa com este livro e com este CÃO COMO NÓS.
7.1.08
O Perfume
13.8.07
Como água para Chocolate
Culinária e amor... uma combinação explosiva...
Um excelente livro de Laura Esquivel, para mim o melhor dela que li até agora. A escritora tem o dom de conseguir misturar a culinária com o amor, conferindo-lhe um certo misticismo. A história fala de uma familia de tradições antigas em que a filha mais nova não pode casar porque tem que tratar da mãe na velhice, impedindo-a assim de viver um grande amor... situação ainda agravada por esse amor ser impelido a casar com a irmã mais velha e ficarem a viver na mesma casa.
Tita, a principal personagem desta história transfere então o seu grande amor por Pedro para a culinária, onde nos envolve também a nós leitores, de uma forma apaixonada em que quase sentimos também o paladar das deliciosas iguarias que ela prepara e que nos vai transmitindo simultaneamente as fantásticas receitas que lhe foram ensinadas através das gerações. O seu humor é o humor de todos os que comem a sua comida... este livro tem qualquer coisa de mágico. E muito de delicioso...
O filme é um clássico a preto e branco, espanhol, que eu tenho em VHS mas que apesar disso não me desfaço dele, consegue transcrever o livro em pleno, eu que normalmente nunca gosto de filmes que já tenha lido o livro, adorei este filme, parece que o realizador o leu com os meus olhos e o imaginou com a minha cabeça.
11.3.07
Dali - A sua vida e a sua Obra
Para quem não conhece nada sobre o pintor e para aguçar curiosidades, passo a desvendar um pouco da sua biografia, que se encontra neste livro que acompanha Salvador Felipe Jacinto Dali y Domenech desde o seu nascimento em 11 de Maio de 1904 em Figueres, na provincia e Gerona no Norte de Espanha, a sua revolta com os pais na infância devido ao facto dos pais passarem a vida a compará-lo com o irmão mais velho que morreu com dois anos, pensa-se que vitima de maus tratos do pai, a sua falta de aproveitamento enquanto criança, mas a sua já grande apetencia para as artes, sabendo-se que leu grande parte da biblioteca do pai ainda antes dos 10 anos e que pintou o seu primeiro quadro com 6 - uma natureza morta de cerejas numa velha porta carcomida.
Aos 14 anos expôs os seus primeiros quadros depois de ter estudado desenho na Escola de Figueres, no edifico do Teatro Municipal que mais tarde se veio a tornar no Museu Dali. Com 17 anos ingressa na Academia das Belas Artes, onde não se consegue adaptar, mas estabelece amizades para toda a vida com importantes figuras da época como por exemplo Garcia Lorca com quem estabeleceu uma amizade muito especial.
Como é sobejamente conhecido Lorca era homosexual e apaixona-se por Dali que com tendências bisexuais mas sem estar apaixonado por ele e sem ter sequer iniciado a sua vida sexual deixa-se tentar pela experiência que embora não resultasse veio a dar origem à sua famosa frase (e desculpem-me o vernáculo da linguagem): - "Sentia-me terrivelmente lisongeado pela sua escolha e lá no fundo sentia que ele era um grande poeta e que eu lhe devia um bocadinho do cu do divino Dali".
Neste altura em que Dali está na Academia em 1926, é profundamente influenciado pelo Cubismo e por Picasso, embora a sua diversidade de estilos baralhe um pouco os criticos nas suas exposições. Ele não se adapta mais uma vez, aliás toda a sua vida é uma sucessão de inadaptações em tudo e com todos, e sem saber o que fazer para sair, visto que o seu pai não queria, optou pela forma mais aberrante: quando foi chamado para o exame de História de Arte, recusou-se a ser examinado dizendo que não considerava nenhum dos professores daquela escola com competência para o julgar, e dizendo isto retirou-se. Obviamente foi expulso e conseguiu assim os seus intentos.
Em 1927 Dali começa a explorar o surrealismo, difundido nos circuitos intelectuais espanhois e adoptado por pintores como Miró e Picasso que vão ser grandes influências na vida artistica de Dali. Em 1928 com com o seu grande amigo Buñuel estreou-se no cinema com o filme "Un chien andalou" - Um cão andaluz. este cão para eles representa Lorca; embora o filme não seja minimamente racional, conforme o desejo dos seus autores e a sua decepção perante a grande aceitação do publico. Segundo eles o filme não tinha conseguido ser suficientemente repugnante.
No Verão de 1929 conhece Paul e Gala Eluard que depois de uma vivência em "menage a troix" com Max Ernst têm o seu casamento de rastos. Dali apaixona-se histéricamente (segundo palavras dele) por Gala e convence-a a ficar após o regresso do seu marido a Paris, iniciando de imediato um relacionamento com ela que durará até à sua morte, apesar de após passada a fase inicial da louca paixão Dali ter deixado de ter relações sexuais com ela porque morria de medo de doenças sexualmente transmissiveis.
Contudo casaram em 1934, tendo como unica testemunha o ex-marido de Gala. A partir daqui começa a usar Gala como musa inspiradora e como modelo para todo o tipo de pinturas por considerá-la divina, o que de certo modo era irónico visto que o comportamento de Gala era altamente promíscuo, tendo ela relações ilicitas com uma sucessão infinita de amantes, homens e mulheres, que durará até à sua morte em 1982 com oitenta e muitos anos, altura em que só deixava Dali visitá-la com um pedido por escrito.
Da sua morte em diante Dali perdeu praticamente a sua sanidade mental. Morreu a 23 de Janeiro de 1989 desnutrido e fraco, ainda mal restabelecido das queimaduras que tinha sofrido num incêndio na sua casa, recusando-se a comer porque acreditava que alguém o tentava envenenar. A última tela que pinta é em 1983 "A cauda da andorinha" e disse: Tudo o que faço agora centra-se no fenómeno das catástrofes". A sua mente estava doente e ele quase louco de desgosto pela morte da sua infiel amada.
E finalmente quanto a pinturas deixo aqui uma lista muito pessoal de algumas obras que se podem encontrar neste livro e que pessoalmente me agradam muito:
A persistência da memória
O rosto de Mae West
O grande paranoico
A metamorfose de Narciso
Cisnes refletindo elefantes
Cristo de S. João da Cruz
O colosso de Rhodes
A ultima ceia
Santiago El Grande
Criança geopolitica observando o nascimento do homem novo
Rosa Medidativa
